sexta-feira, 25 de março de 2016

Páscoa e a Deusa

Páscoa não é sobre homem, sacrifício,  perdão, pecados. Páscoa é sobre mulher, renovação,  renascimento,  restauração.

As origens das celebrações da pascoa remontam ao mito anglo-saxão de Eostre*, a deusa identificada com a fertilidade, renascimento, relacionada à Aurora, à luz crescente da primavera e que concede bênçãos à terra.

Eostre tinha como símbolo a lebre e o ovo que era pintado, escondido. Sua celebração coincide,  como todos os eventos mitológicos, com o ciclo da natureza,  o equinócio da primavera no hemisfério Norte.

Um tempo de renovação da natureza,  identificado com a fertilidade,  a recriação,  transformação,  o feminino que se renova,  que gera, que cria, recria que abençoa a terra que produz o sustento.

Com a ascensão das religiões patriarcais, a figura feminina de Eostre a deusa da fertilidade,  foi substituída pelas mitologias e deuses masculinos.

Sem pudor algum, usurparam os símbolos,  as datas, as referências. Porém esta última,  as referências, perderam o sentido profundo e natural que se liga ao mais íntimo de cada um,  pois, arquétipica, fala de dentro da natureza humana e primordial.

A deusa nos remete à Grande Mãe,  àquela que gera, que dá à luz, que abriga, cuida, nutre. Que se renova e, junto a isso,  nos renova com ela.

Sei que muitos vão se incomodar com isso,  mas o fato é que a mitologia nos fala, em tempos que podemos chamar de primordiais, do papel arquétipico desempenhado pela deusa (deusas) e que se perderam, foram completamente diluídos, foram artificialmente identificados com figuras masculinas de deuses na apropriação posterior feita pelas religiões patriarcais.

A Páscoa  portanto,  nos fala dessa regeneração identificada com a renovação do ciclo da natureza, (da primavera do hemisfério norte), da vida gerada, o feminino criador, restaurador, gerador da vida em suas várias formas, da deusa intimamente ligada à natureza, que dela cuida e restaura.

Vale a pena conhecer o mito de Eostre,  aliás toda a mitologia pré judaico-cristã, bem como as mitologias orientais e africanas.

Isso nos dá uma visão ampla da humanidade e seus caminhos,  o mito nos fala diretamente, é uma metáfora poderosa e riquíssima.

Lembrem que a deusa precedeu a religião patriarcal,  é interessante notar como ela teve sua posição violentamente usurpada e suplantada pelo patriarcado, mas ainda subsistem seus símbolos, suas características.

Dessa forma, é também metáfora de como foram as mulheres tratadas desde a antiguidade até os dias atuais.

Celebrem a Páscoa, mas se lembrem que estarão falando do mito original de Eostre, com os ovos,  o discurso de renovação,  de transformação,  de renascimento, da deusa, do feminino que não se pode conter, suplantar, esconder, oprimir, pois sempre fará o movimento de restaurar-se, de se renovar, renascer em seus simbolismos, sua força e sua verdade.

*Outros nomes:
Eos - Grega
Frigg - indo-européia
Astarte - Fenícia
Ishtar - Babilônica

Claudia Stella Resende

quarta-feira, 23 de março de 2016

Leila Khaled

 1940, , a região da Palestina vive um momento tenso com judeus da Europa  fugindo da perseguição nazista. Nese contexto nasce Leila Khaled, filha de uma família árabe palestina da cidade de Haifa. 

Em 9 de abril de 1948, iniciam, com o  massacre de Deir Yasin,  os conflitos militares entre árabes e judeus.  

Mais de 300 aldeões palestinos foram  assassinados por terroristas do Stern e Irgun, (grupos terroristas judeus).

A família de Leila muda-se para o Líbano, onde então passam a viver como refugiados.

Já na adolescência,  ela passa a integrar diversas organizações de luta armada contra a ocupação israelense, ingressando então na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) de vertente socialista.

Através da estratégia de seqüestrar aviões, o grupo pretendia dar visibilidade internacional à luta do povo Palestino. 

" Em julho de 1968, o grupo terrorista tomou um avião israelense em troca da soltura de alguns companheiros da Frente de Libertação. O sucesso da empreitada inicial empolgou o grupo Palestino que, àquela altura, já tinha Leila como um de suas mais bem treinadas combatentes.

Muito mais ousada que a primeira ação, o seqüestro para o qual Leila foi designada pretendia tomar um avião da companhia TWA que levava Yitzhak Rabin, na época, embaixador de Israel nos Estados Unidos. A ação terrorista acabou não cumprindo seu objetivo, pois o embaixador acabou desistindo da viagem. Leila foi presa e seu rosto estampou as páginas dos jornais e noticiários do mundo inteiro. Em pouco tempo, a beleza da jovem terrorista virou uma sensação nos veículos de comunicação.

O reconhecimento divulgou sua causa por vias pouco interessantes e, por isso, a bela Leila decidiu se submeter a cirurgias plásticas que modificaram sua fisionomia. Em setembro de 1970, um ano depois de sua primeira ação, Leila Khaled participou de uma série de seqüestros aéreos popularmente conhecidos como “os seqüestros de Dawson Field”. Carregando diversas granadas, Leila e seu companheiro Patrick Arguello tentaram invadir a cabine do piloto.

Durante a ação, agentes disfarçados que estavam no avião conseguiram matar Patrick com quatro tiros fatais. Enquanto isso, Leila era observada com as granadas que poderiam colocar o avião pelos ares. A aeronave, que tinha Nova York como destino, foi obrigada a realizar um pouso emergencial na cidade de Londres. Quando desceram em terras britânicas, Leila Khaled foi presa pelos policiais ingleses. Dias mais tarde, outro grupo de seqüestradores trocou cinqüenta e seis reféns pela liberdade da terrorista.

Após esse incidente, a bela e afamada terrorista resolveu desistir das atividades terroristas. Leila Khaled escreveu um livro contando sua história de vida e, logo depois, constituiu família. A partir de então, seu interesse pela questão palestina ganhou novos rumos. Atualmente, a ex-terrorista integra o Conselho Nacional Palestino, uma espécie de instituição política que visa representar os interesses dos quatro milhões de palestinos que vivem fora de sua terra natal."

Fontes: Brasil Escola 




Ilustração: Desenho Bico de pena sobre papel - Claudia Stella de Resende 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Frida Kahlo em protesto

Em 2 de julho de 1954, onze dias antes de morrer já com a perna amputada, na cadeira de rodas e convalescente de uma pneumonia, Frida Kahlo participou da manifestação em protesto contra a intervenção da Agencia Central de Inteligência dos EUA /CIA, na Guatemala.

A CIA estava trabalhando pra depor o presidente do Partido Popular, eleito democraticamente, que propunha mudanças na política econômica e redistribuição de renda. O objetivo era de impedir a expropriação de vastas terras não exploradas de propriedade da United Fruit Company, empresa que desejava desenvolver a monocultura da banana. Uma junta militar, imediatamente reconhecida pelos Estados Unidos, toma o poder, dando surgimento aos movimentos de guerrilha.

O poeta Pablo Neruda ao denunciar o golpe cunhou a expressão “repúblicas bananeiras”, as repúblicas da América Central submetidas às companhias norte-americanas.

Jacobo Arbenz foi substituído por uma brutal ditadura militar. A CIA a serviço de políticos e empresários, trabalhou por convencer a administração estadunidense, por consequencia a opinião pública (a mídia se resfestelou) de que Arbenz era um comunista, ou pelo menos socialista. A operação teve um nome eloquente: Operação Êxito.

      O presidente Arbenz havia nacionalizado 390 mil hectares da empresa, para iniciar a única reforma agrária que a Guatemala teve em sua história. Arbenz renunciou em 27 de junho e teve de partir para o exílio. Foi a primeira intervenção DIRETA da CIA na América Latina.

Como conseqüência, contam-se cerca de 200 mil indígenas e muitos não indígenas assassinados em 30 anos de guerra civil, uma soberania nacional hipotecada e ausência de democracia e seguidas violações dos direitos humanos. Washington não somente impôs o novo governo militar e o armou, como também relacionou uma lista de pessoas que deveriam ser de imediato eliminadas.

Os jornais ligados aos EUA ao lado de associações como a Liga Norte-americana da Liberdade, a Associação Nacional de Industriais e os Cavaleiros da Ku Kux Klan, uniram suas forças em apoio à “destruição da ameaça comunista” na América Central.

Fontes:
HERRERA, Hayden – Frida: A Biografia Definitiva – Cosac Naify - 2011;
Link: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/4770/hoje+na+historia+golpe+derruba+governo+legitimo+de+arbenz+na+guatemala.shtml


domingo, 28 de abril de 2013

Arte com "A" maiúsculo


Redigi este texto com base no primeiro capitulo do livro de E. H. Gombrich, A História da Arte, pois achei muito elucidativa e prática a forma como ele coloca a questão do que é ou não é a "Arte".
"Nada existe,  realmente, a que se possa dar o nome de Arte. Existem  somente os artistas."
Antigamente, alguns juntavam um pouco de terra colorida e, numa caverna, pintavam algumas figuras de animais. Séculos depois, algumas pessoas vão à uma loja, compram tintas e pintam as mais variadas coisas, ou ainda, modelam ou esculpem imagens ou formas em barro ou pedra.
"Mas Arte, com A maiúsculo não existe!"
Ela apenas parece existir. É como um bicho-papão, o monstro no armário ou debaixo da cama, algo que passou a ser usado com o objetivo de amedrontar alguém: "o que você fez não é arte!"
Não existe nada de errado em gostar de determinado quadro ou escultura. Mas existem razoes erradas para não gostar.
Nós, naturalmente, temos a tendência de gostar e admirar temas e figuras bonitas que vemos na natureza e nos agrada a ideia de vê-las fielmente retratadas em uma obra de arte.
Por outro lado, rejeitamos o oposto, ou seja, o que consideramos feio, repulsivo, que se afaste do ideal de beleza, proporção de nossa época e cultura.
Mas o que desconsideramos é que, os padrões de beleza variam enormemente de cultura para cultura e mesmo em anos, séculos ou regiões. E que, a beleza de um quadro, não reside apenas na beleza de seu tema, mas na força expressiva e nos valores e visão de mundos de cada artista.
Isso também vale quando falamos de expressão.


Guido Reni -
Cristo coroado com
espinhos, 1639-44





 Mestre Toscano 
Cabeça de Cristo,
1175-1225


Outro fator que influi na valorização ou não de uma obra de arte e que não podemos ignorar é que muitas pessoas gostam e admiram a perícia do artista ao representar as coisas tal como ele as vê. Gostam de desenhos, pinturas e esculturas "realistas", quase uma fotografia da cena real. E são repelidos por obras que consideram mal desenhadas.
O que ignoram, entretanto, é que faz parte do fazer do artista a liberdade de "distorcer" a natureza, não se prendendo a regras ou limitações técnicas ou estilísticas, se assim não desejarem. Isso não significa, em absoluto, que este não domine a arte do desenho realista, como nos exemplos abaixo:



Düred - a lebre
estudo em aquarela










Dürer - Retrato de sua mãe












Rembrandt - o Elefante




Picasso - A galinha/ O galo

De acordo com Fayga Ostrower:
"...a arte não é uma mera técnica de reprodução das aparências de figuras humanas, paisagens ou objetos...A arte é uma linguagem própria, cujos termos expressivos - cores, linhas, formas - são expressivos em si, e cujos contrastes e ênfases formais também se tornam expressivos. As "distorções", por exemplo, correspondem a ênfases formais, ênfases seletivas acentuando certos aspectos no conteúdo expressivo de uma imagem"  (Ostrower, Fayga. A sensibilidade do intelecto. 5º Ed. Campus Pág 3)

O que caracteriza o fazer artístico é a liberdade e a capacidade que o artista tem em descobrir novos caminhos, vivendo como que numa constante viagem rumo ao desconhecido, permeada de descobertas, de quebra de paradigmas, intuindo o caminho a seguir.
Durante todo esse processo de vivência e criação, ele descobre que tem o poder de traduzir sua visão de mundo e seus valores, demostrando ser um  catalisador de diferentes mundos, onde não há regras que o possam limitar nas esferas de liberdade de expressão e que, é na diversidade que reside a grandeza de sua expressão, a mais pura forma de retratar a arte de viver e conviver.
Essa diversidade no mundo da arte, de formas e expressões, é o reflexo de nossa própria diversidade como indivíduos. E a resistência em se encaixar em rótulos e limitações, que permeia a vida e produção artística, remete à necessidade de abandonarmos o hábito de a tudo buscarmos o padrão do que cremos ser o mais aceitável e verdadeiro, a uniformização forçada de uma sociedade tão plural quanto a própria arte em suas formas de expressão.

Por fim, fiquemos com as palavras de Gombrich, um dos grandes historiadores de arte de todos os tempos, que me inspirou a escrever esse texto:
"Não existe maior obstáculo à fruição de grandes obras de arte do que a nossa relutância em descartar hábitos e preconceitos."

Claudia Stella Bär


Bibliografia:
Gombrich, E. H. A Historia da Arte. 16° edição. Ed. LTC
Ostrower, Fayga. A sensibilidade do intelecto. 5º Ed. Campus

sábado, 21 de julho de 2012



LASAR SEGALL

 
1891 

Lasar Segall nasce a 21 de julho, na comunidade judaica de Vilna, capital da Lituânia, na época sob domínio da Rússia czarista. É o sexto filho de Esther Ghodes Glaser Segall e Abel Segall. Os oito filhos do casal Segall eram, por ordem de nascimento: Oscar, Jacob, Rebeca, Luba, Manja, Lasar, Lisa e Grisha. 

Seu pai era escriba da Torá, lei judaica contida nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, cujo texto, manuscrito em pergaminho, é utilizado em cerimônias religiosas nas sinagogas. 

 
 
1905 

Em Vilna, frequenta a Escola de Desenho, onde é estimulado a viajar para seguir seus estudos, pelo pintor Antokolski, sobrinho do escultor Mark Matveevich Antokoski, também judeu de Vilna, que passou grande parte da vida em Paris. 
 
1906 

Aos 15 anos de idade vai para Berlim, onde se fixa, para continuar a formação artística. Frequenta a Escola de Artes Aplicadas. Em seguida ingressa na Academia Imperial de Belas Artes de Berlim. Recebe Bolsa de Estudo.
 
1910 
Deixa a Academia de Berlim. No final do ano transfere-se para Dresden, onde frequenta a Academia de Belas Artes, como aluno-mestre, com ateliê próprio e maior liberdade de criação. No ano seguinte, visita novamente a família em Vilna. 1911

Lasar Segall e seus
colegas da Academia de
Dresden em uma das
excursões de pintura ao
ar livre, 1911
Dresden/Alemanha

 
1912 
Vai à Holanda. Em Amsterdã desenha tipos humanos no asilo de velhos. No final do ano, passa pelo porto de Hamburgo a caminho do Brasil, onde já residiam seus irmãos Oscar, Jacob e Luba.

1913 

Em março, faz exposição individual num salão alugado à Rua São Bento, 85, São Paulo, com apoio do senador José de Freitas Valle. Mostra trabalhos de transição entre o impressionismo e um estilo pessoal que começava a se afirmar. Em maio, dá aulas de desenho à jovem Jenny Klabin. Em junho, exposição individual no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, que adquire sua pintura Cabeça de menina russa (1908). 

No final do ano, regressa à Europa, deixando várias obras em coleções brasileiras, entre as quais a de Freitas Valle, na qual ficaram três trabalhos, inclusive o Auto-retrato I (c. 1911). Visita Paris por três semanas, fazendo longas visitas ao Museu do Louvre. De volta à Alemanha, conhece Margarete Quack que, finda a Primeira Guerra, se tornaria sua esposa. 



1916 

No início de 1916 recebe autorização para voltar a Dresden. Vive algum tempo na residência de Victor Rubin, patrono de vários artistas dessa cidade. No final desse ano, retorna à cidade natal, encontrando-a destruída pela guerra. Da forte impressão que lhe causa a cidade, com seus seres miseráveis espalhados pelas ruas, produz uma série de desenhos, litografias e gravuras em metal, em que registra a data “1917”. 



1918 

Permanece de agosto a novembro em Vilna por ter contraído a gripe espanhola. Volta a Dresden. Publica, com prefácio do crítico Will Grohmann, o álbum 5 Litographien nach der Sanften (Cinco litografias sobre Uma criatura dócil), inspirado no conto Krotkaya (Uma criatura dócil), de Dostoievski. 


1919

 
Funda com os artistas Otto Dix, Conrad Felixmüller, Will Heckrott, Otto Lange, Constantin von Mitschke-Collande, Peter August Böckstiegel, Otto Schubert, Gela Forster e o arquiteto e escritor Hugo Zehder, a Dresdner Sezession - Gruppe 1919 (Secessão de Dresden, Grupo 1919). Primeira exposição da Secessão de Dresden - Grupo 1919, na Galeria Emil Richter, Dresden (abril/maio). Em junho, nova mostra da Secessão de Dresden - Grupo 1919, com convidados de outras cidades (George Grosz, Schmidt-Rottluff e Kurt Schwitters, entre outros). É um dos 141 intelectuais que responde ao questionário organizado pelo Arbeitsrat für Kunst (Conselho dos Trabalhadores da Arte), sobre o papel do artista na sociedade e as relações da arte com o Estado. Estadias na ilha de Hiddensee, no mar Báltico, ao norte da Alemanha, resultam na produção de uma série de paisagens.

1920 

Grande exposição individual de Segall no Folkwang Museum, em Hagen, importante museu no oeste da Alemanha, inaugurada com conferência de Will Grohmann. Entre outros trabalhos, estão presentes nessa mostra as telas Kaddish (1917), Morte (1917), Gestante (1919), Meus avós (em sua primeira versão; a tela foi depois retrabalhada e datada 1921) e Auto-retrato (1919). Recebe a visita do escritor e poeta franco-alemão Ivan Goll. Museu de Essen adquire a pintura Dois seres (1919), o Museu Folkwang, em Hagen, a pintura A viúva (1919) e o Museu Municipal de Dresden a pintura Eternos caminhantes (1919). 
Publica com Otto Dix, Will Heckrott, Otto Lange, Constantin von Mitschke-Collande e Eugen Hoffmann, o álbum Secessão de Dresden - Grupo 1919, contendo duas gravuras de cada artista. Colabora, em Dresden, para a fundação da Escola de Dança de Mary Wigman, a mais importante figura da dança expressionista alemã. 
Conhece Paul Klee. Ilustra o livro de Theodor Däubler, da coleção Jüdische Bücherei (Berlim, Ed. Fritz Gurlitt de Arte e Cultura Judaica). Exposição individual na Galeria Schames de Frankfurt.


1921 

Participa da Exposição de Arte Russa, na Galeria von Garvens, de Hannover (março/abril). Participa da organização da exposição de arte moderna italiana Valori Plastici, que abre em outubro desse ano na sede do Kunstsalon Emil Richter, em Dresden. Conhece o pintor Wassily Kandinsky, que chegara da Rússia, tornando-se seu amigo. Convive ainda com os artistas El Lissitzki, Naum Gabo e Alexander Archipenko.
Publica o álbum Bubu (8 litografias), inspirado no romance Bubu de Montparnasse de Charles Louis Philippe, com prefácio de Paul Ferdinand Schmidt, diretor do Museu Municipal de Dresden. 
Segall e Margarete mudam-se para Berlim.
 
1922 

Participa da Internationale Kunstausstellung (Exposição Internacional de Arte) de Düsseldorf (maio/julho). Representa a Secessão de Dresden no Congresso da União dos Artistas Internacionais Avançados, simultâneo a essa exposição. Em sua autobiografia, Segall diz que foi nessa ocasião que conheceu os pintores Max Ernst, Yankel Adler, Arthur Kaufmann e Gert Wollheim. 
Publica o álbum Recordação de Vilna em 1917 (5 pontas-secas), com prefácio de Paul Ferdinand Schmidt. 
 
1923 

Em abril, exposição individual de gravuras na Galeria Fischer, de Frankfurt e no Gabinete de Estampas do Museu de Lepzig. Ilustra o livroMaasse-Bichl (Pequeno livro de estórias), de David Bergelsohn, com 17 gravuras (Ed. Wostock, Berlim). Em novembro, Segall e Margarete vêm de mudança para o Brasil.

1924 

Em janeiro, depois de passar pelo Rio de Janeiro, desembarca em Santos. Reside em São Paulo, à rua Oscar Porto, 31. 
Logo após sua chegada, recebe em sua casa, no dia 8 de fevereiro, a visita de simpatizantes do Modernismo, entre os quais Olívia Guedes Penteado.
Em março, exposição individual à Rua Álvares Penteado, 24, São Paulo. Mostra obras produzidas na Alemanha. 
Separa-se de Margarete, que retorna a Berlim.
Em novembro, executa trabalhos de decoração para o Baile Futurista, no Automóvel Club de São Paulo. Faz a conferência “Sobre Arte”, na Vila Kyrial, residência do senador José de Freitas Valle, importante ponto de reunião de artistas e intelectuais.
 

1925
 
Decora com pinturas murais o Pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado, localizado no jardim de sua residência, à Rua Conselheiro Nébias, onde se reuniam os modernistas. Mário de Andrade analisa esse trabalho: “Segall se revelou na decoração desse salão um idealista excelente. Um idealista de felicidade. E me parece que foi esse idealismo que lhe permitiu chegar nos quadros atuais a um conceito mais realista de realidade, abandonando aquele trágico mortificante e incessante que lhe caracteriza toda a obra anterior à fase brasileira”.
Pinta a tela Paisagem brasileira (1925). Em junho, casa-se com Jenny Klabin. O casal passa a lua-de-mel no Rio de Janeiro. Em dezembro, Segall e Jenny viajam para a Europa.
 
1926 
Expõe obras produzidas no Brasil entre 1924 e 1926, na Galeria Neumann-Nierendorf, de Berlim e na Galeria Neue Kunst Fides, de Dresden. Em abril, nasce Mauricio, seu primeiro filho, em Berlim. Em outubro, a família retorna ao Brasil.
 
1927 

Em fevereiro, morre em São Paulo seu pai Abel Segall. Naturaliza-se brasileiro. 
Em dezembro, exposição individual à Rua Barão de Itapetininga, 50, São Paulo. 

1928 

Em julho, exposição individual no Palace Hotel, Rio de Janeiro. Nessas duas exposições, de 1927 em São Paulo e de 1928 no Rio de Janeiro, Segall mostra os trabalhos feitos no Brasil entre 1924 e 1928, produção que ficou conhecida – conforme a expressão de Mário de Andrade – como “fase brasileira”. Essa nova pintura exibia forte influência do país, tanto na escolha dos temas – figuras de negros, plantas tropicais, favelas – quanto no uso de cores mais vivas e iluminadas. Em novembro, a Pinacoteca do Estado de São Paulo adquire a pinturaBananal (1927).
Em dezembro, volta à Europa, residindo por quatro anos em Paris, onde começa a esculpir.
 
1930
Em fevereiro, nasce Oscar, seu segundo filho, em Paris.
1932 

Em abril, Segall retorna ao Brasil, fixando residência em São Paulo, à Rua Afonso Celso. Ao lado da casa, projeto de Gregori Warchavchik, seu concunhado, constrói o ateliê, onde planeja instalar a “Escola de Arte Lasar Segall”, que não chega a se concretizar. Projeta móveis e tapetes para a decoração da casa, que mostram sintonia com as formas simplificadas propostas pela Bauhaus. 
É um dos sócios fundadores da SPAM (Sociedade pró Arte Moderna), cuja criação é comemorada em casa da bailarina Chinita Ullman, com a festa “São Silvestre em Farrapos”, decorada com painéis pintados pelo artista.



1933 

Em fevereiro, realiza o projeto e a decoração do baile “Carnaval na Cidade de SPAM”, nos salões do Trocadero, São Paulo. Participa da Primeira Exposição de Arte Moderna da SPAM, São Paulo (abril/maio). Em agosto, exposição individual de aquarelas e águas-fortes, na Pró-Arte, Rio de Janeiro.



1934 

Em fevereiro, realiza o projeto e a decoração do baile “Uma expedição às matas virgens de Spamolândia”, à Rua Martinho Prado, São Paulo. Em março, exposição individual na Casa d’Arte Bragaglia, Roma. Em maio, exposição individual na Galeria del Milione, Milão.



1935
Extingue-se a Spam por pressões de um grupo simpatizante do integralismo, que repudiava os judeus como “inimigos do Estado”.


1937 

Três pinturas e sete gravuras suas são incluídas na mostra Entartete Kunst Ausstellungsführer (Exposição de Arte Degenerada), organizada pelos nazistas em Munique para desqualificar a Arte Moderna. 
Em maio, expõe no Primeiro Salão de Maio, no Esplanada Hotel, São Paulo.
Representa oficialmente o Brasil no Congresso Internacional de Artistas Independentes, em Paris.


 
Em fevereiro, exposição individual de pinturas e guaches na Galeria Renou et Colle, Paris. O Museu Jeu de Paume, atual Museu Nacional de Arte Moderna, em Paris, adquire sua pintura Retrato de Lucy VI (1936), e o Museu de Arte de Grenoble sua pintura Jovem com Acordeão II(1937). Em maio, expõe no Segundo Salão de Maio, no Esplanada Hotel, São Paulo. Realiza cenários para o balé “Sonhos de uma noite de verão”, encenado pela Companhia de Balé de Chinita Ullman, no Teatro Municipal de São Paulo. É publicado em Paris o livro Lasar Segall, do crítico Paul Fierens (Editions des Chroniques du Jour, Paris). 

1942 
Ruy Santos produz o filme O artista e a paisagem, sobre a obra de Lasar Segall. 
 
1943 

Exposição retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Catálogo com texto de Mário de Andrade (maio/junho).
É publicado o álbum Mangue (4 gravuras originais e 42 reproduções de desenhos), com textos de Jorge de Lima, Mário de Andrade e Manuel Bandeira (Ed. Revista Acadêmica, Rio de Janeiro), focalizando o tema da prostituição dessa região do Rio de Janeiro. 


 
Participa da Exposição de Arte Condenada pelo III Reich, na Galeria Askanazy, Rio de Janeiro. 
Ilustrações para Poesias reunidas O. Andrade, de Oswald de Andrade (Edições Gaveta, São Paulo). Ilustrações para Canção da Partida, de Jacinta Passos (Edições Gaveta, São Paulo). Em novembro, é encenada a peça Dos Groisse Guevins (A Sorte Grande) de Sholem Aleichem, pelo Grupo de Teatro da Biblioteca Scholem Aleichem, com cenários de Segall, no Teatro Ginástico, Rio de Janeiro. 
 
1948 

Em março, exposição individual na Associated American Artists Galleries, Nova York. George Grosz, morando em Nova York, visita a exposição e deixa bilhete elogiando a grande tela Navio de emigrantes. Sua pintura Êxodo I (1947) é doada ao Museu Judaico de Nova York. 
 
1951 


Em outubro, exposição retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo. 
Conhece Myra Perlov, modelo de uma série de retratos. Sala Especial na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo (outubro/dezembro). 
 
1952 

É publicado o livro Lasar Segall, de Pietro Maria Bardi (Ed. Museu de Arte de São Paulo). Participa do Instituto de Arte Contemporânea, do MASP, como consultor do curso de artes plásticas. 
 
1954 

Realiza cenários e figurinos para o balé O mandarim maravilhoso, encenado pela Companhia Ballet IV Centenário, São Paulo, com música de Bela Bartok e coreografia de Aurélio Milloss. Retoma alguns de seus temas anteriores nas séries das Erradias, Favelas e Florestas, em composições com predominância de verticais e nas quais o assunto é cada vez mais rarefeito. 
 
1955 
Sala especial na III Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo (julho/outubro). Marcos Margulies produz o documentário A esperança é eterna, sobre a obra de Segall. 
 

1956
 
Expõe na mostra 50 anos de Paisagem Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (fevereiro/março). O crítico Jean Cassou, conservador chefe do Museu Nacional de Arte Moderna de Paris, inicia os preparativos para uma grande retrospectiva de Segall, que só se realizaria em 1959, após a morte do artista.


1957 

A 2 de agosto falece em sua casa da Rua Afonso Celso em São Paulo, vítima de moléstia cardíaca.
 
1967 

Jenny Klabin Segall, viúva do artista, inicia o trabalho de autenticação de obras não assinadas, ao mesmo tempo em que cuida da conservação das obras deixadas pelo artista, com vistas à criação de um museu. Auxiliada pelos filhos Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall e pelo amigo Luis Hossaka, coordena várias exposições póstumas de Segall na Europa e em Israel, entre 1958 e 1962, cumprindo seu objetivo de reintroduzir seu nome no panorama artístico internacional. 
A 2 de agosto de 1967, exatamente dez anos após a morte do marido, Jenny Klabin Segall falece também em conseqüência de um enfarte. Pouco tempo depois, a 21 de setembro de 1967 é inaugurado oficialmente o Museu Lasar Segall, situado na antiga residência do casal










Esta aquarela representa o núcleo familiar do próprio artista. Ele se retrata aqui como menino, ao lado do pai Abel Segall e da mãe Esther Ghodes Glaser Segall. O pai tem as barbas brancas, que realmente ostentava em 1922, período em que foi feita esta aquarela. A mãe, falecida quando Segall era um menino de catorze anos, parece resgatada de antiga pose de família, produzida no ateliê de um fotógrafo de Vilna, sua cidade natal. Naquela fotografia, que espelha a harmonia familiar da época, o casal aparece com seis de seus oito filhos, tendo o pequeno Lasar à frente, aos cinco anos de idade. É essa trindade idealizada – pai, mãe e filho – que Segall isola na aquarela, curioso autorretrato do artista quando jovem.



FONTE: Museu Lasar Segall